Vodu é legal e do bem
- 3 de dez. de 2019
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Atualizado: 10 de dez. de 2019
O governo do Haiti reconhece como uma das religiões oficiais que não tem magia e nem bonequinhos com espetos
Por Daniel Batista Fernandes
“O Vodu é uma história mal contada que deu medo”, comenta Behrman
Vodu é uma religião tradicional africana que tem o ápice da celebração no dia 2 de novembro. Amplamente praticada pelos haitianos, que neste dia celebram a Fête Gédé, ou Festival dos Antepassados (o que para os cristãos é o dia de finados). Pessoas leigas associam o vodu a feitiçaria, magia negra, macumba, mas Behrman Garçon, Presidente da Casa Cultura Haiti no Brasil, crava que nada disso é verdade. “O Vodu é uma história mal contada que deu medo”.
Na religião acredita-se em um deus supremo, no Haiti ele é chamado de Bondyé (língua crioula “bom deus”). Para se comunicar com esse deus, utilizam outros espíritos, chamados de Iwa no Haiti. Portanto, são monoteístas.
De acordo com o mestrado em ciências da religião desenvolvido por Jean Gardy Jean Pierre, a língua do crioulo e a religião do Vodu, são os elementos fundadores da nação haitiana. A religião foi registrada oficialmente na constituição de 1987 do Haiti.
Celebração
Segundo Behrman a religião é semelhante com os costumes dos índios de cultivar a natureza: “quando você está com dor de barriga não precisa tomar medicamento, você vai na natureza e pega uma planta, os espíritos te falam qual planta pegar”.
No dia da comemoração do Gédé, os haitianos vão até o cemitério louvar os mortos, ver o Baron Samedi, que é a primeira pessoa que foi enterrada no cemitério e virou dono do espaço para vigiar os outros corpos das pessoas que morreram depois dele. Para os seguidores do vodu existem dois mundos: o visível, que estamos, e o invisível, onde estão as almas.
Outra característica da cerimônia é que passam
farinha de trigo no rosto e comem muita pimenta.
Existem diferentes cerimônias com o intuito de louvar o espírito para que cumpra um desejo, que pode ser tanto um problema do cotidiano quanto para pedir proteção, ou sucesso na carreira. Alguns dos rituais mais sangrentos e que geram dúvida é quanto ao sacrifício de animais, e a ordem é cortar o pescoço do animal e deixar o sangue escorrer sobre a comida. Não existe sacrifício de uma pessoa humana, o vodu, prega a cura, tornando proibido machucar o próximo.

Comemoração do dia dos mortos
Espíritos
Para tirar um pouco a mística e o desconhecido, Behrman compara o culto cristão com o vodu, ele fala que a presença de Nossa Senhora Aparecida para os cristãos, tem o mesmo significado que Erzulie, que representa o amor. Uma outra curiosidade é que o vodu não possui um criador ou líder, diferente do catolicismo que tem o livro da Bíblia e a presença do Papa.
Alguns dos principais loas (espíritos) são: Legba (comunicação entre o mundo dos vivos e dos mortos), Erzulie (amor e fertilidade), Loko (cura), Ayizan (pureza), Danbala (força positiva da terra), Ayida (força positiva da esfera), Agwe (mares), Ogoun (guerra) e Gede (espírito dos mortos).

O desenho representa "Gede",
espírito dos mortos
Cada pessoa possui o seu próprio espírito, que poder ser revelado em rituais, durante a leitura ou nos sonhos. E após descobrir o
seu iwa, deve dirigir suas orações para ele, o que inclui desenhos e bandeiras diferentes para cada um em específico. Portanto, não se serve a nenhum espírito por escolha, é algo que o destino reserva para o voduísta.
Hoodoo e Vodu
É importante explicar a diferença entre esses dois nomes para não existir confusão: Vodu é uma religião haitiana e Hoodoo não é uma religião, é uma forma de magia. Aqueles bonecos que nos filmes aparecem sendo espetados pertencem a prática do Hoodoo, e a sua intenção é controlar as forças sobrenaturais, para isso podem ser usados tanto para bençãos quanto maldições colocando ênfase em poderes mágicos.







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