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"Estou aqui e vou ficar"

  • 3 de dez. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 9 de dez. de 2019

Presidente da Casa Cultura Haiti Brasil conta como se tornou líder de seus conterrâneos na região de Campinas


Por Daniel Batista Fernandes


Behrman, Presidente da Casa Cultura Haiti no Brasil não pretende voltar ao Haiti


Behrman Garçon, tem 40 anos, e reside em Campinas-SP desde 2010. É haitiano, casado e criou seus dois filhos, Clemnet Garraud Garçon, de 9 anos e Dylan Clemenslee Garraud Garçon, de 3 anos, aqui no Brasil. Deixou sua terra natal, depois do terremoto que de acordo com o primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, matou mais de 316 mil pessoas em 2010. Teve a sua casa completamente destruída.


Na luta pela sobrevivência, o jornalista foi convidado pelo professor da Unicamp, Omar Ribeiro Thomaz, para realizar sua pós-graduação em Antropologia Social e participar do projeto Pró-Haiti, um estudo sobre a quantidade de pessoas que foram vítimas do terremoto, quantidade de faculdades destruídas e quantidade de pessoas que foram deslocadas para outros estados.


Trajetória do Haiti para o Brasil


A principal frustração dos imigrantes e refugiados quando chegam em São Paulo ou Campinas, é que não conseguem exercer seu conhecimento no país. Behrman trabalhou duas vezes na área, ambas para uma escola de idiomas que contratava professores haitianos, mas nunca recebeu por isso. “Isso dói demais, temos capacidade e as empresas têm receio de acreditar”. Para sobreviver, trabalhou no supermercado Dia, foi recepcionista de hotel, call center, professor de língua estrangeira, e atualmente, é motorista de aplicativos.


Behrman está vivo! Explicação.

Criação da Casa Cultura Haiti no Brasil


A prefeitura de Campinas ainda não dá conta de lidar com o fluxo de imigrantes que estão chegando cada vez mais e não existe um abrigo ou casa de acolhimento. A carência é tão grande que o departamento de cidadania delega a função da prefeitura para Behrman, que recebe inúmeras ligações pedindo para abrigar haitianos na sua casa. “A prefeitura está colocando um imigrante na minha casa. Não é por ele ser haitiano que eu conheço, encontrei a maioria em Campinas”. Normalmente, os imigrantes ou refugiados procuram a igreja católica e a prefeitura para ter abrigo, em específico os haitianos, que são muito unidos. Em Barão Geraldo, frequentam uma igreja, e o que impressiona é a como gostam de ajudar uns aos outros.


O primeiro haitiano registrado em Campinas!


A maioria dos haitianos chegam ao Brasil de avião. Acreditar que vem de barco não passa de preconceito ou associação com filmes. A maior dificuldade desse povo na cidade não é com moradia, o haitiano quando encontra um “irmão” pelas ruas sempre busca acolher em sua residência. O maior impasse fica por conta da documentação que precisa para tirar a carteira de trabalho. “Devido à demora para chegar a documentação, haitianos já foram presos comprando carteiro de trabalho de brasileiros mal-intencionados”. Não existe um motivo especial para o haitiano ser atraído ao nosso país. Devido a política e aos desastres em sua terra, eles buscam alternativas para alimentar e garantir a segurança de sua família, podemos dizer que o desespero faz eles chegarem aqui.


Prefeitura não está fazendo sua parte


No dia 18 de maio foi comemorado o Dia da Bandeira Haitiana. No entanto, a cerimônia não ocorreu conforme esperado, tudo isso porque a prefeitura descumpriu um acordo. O departamento de cultura da prefeitura liberou o espaço da estação cultura para o evento, Behrman convidou outros haitianos para mostrar artesanatos e a culinária de seu país, mas o espaço havia sido reservado. “Colocaram a gente no Parque Portugal (Lagoa do Taquaral) faltando uma semana para o outro evento. Perdi dinheiro e a festa foi um fiasco...Nesse ano vamos fazer o possível para não precisar do apoio da prefeitura”.

Como se comunicam?


A principal intenção da Casa Cultura Haiti é mostrar como esse povo pode agregar para a cultura brasileira. “Não queremos um Brasil de português, queremos um Brasil poliglota, com vários idiomas também”.

Atualmente o Haiti vive uma crise política com o mandato de Jovenel Moise, no dia 23 de outubro, de acordo com matéria publicada pelo Jornal Estado de Minas, grupos de artistas, universitários e católicos foram protestar pelas ruas de Porto Príncipe. Para completar, em matéria publicada pelo G1, em 14 de setembro de 2018, só existe um país com desemprego superior ao Brasil na América Latina: Haiti. São 14% de desempregados. No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 189 países, Haiti ocupa o 168º lugar, o Brasil é 79º no ranking.


Necessidades de sair do Haiti


 
 
 

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